ANALGESIA E A ACUPUNTURA NO TRATAMENTO DA LOMBALGIA

Por Carlos V. em 17 de Outubro de 2019.
INSTITUTO BRASILEIRO DE THERAPIAS E ENSINO

 

 

 

 

 

CARLOS VANDERLEI PUKALESKI

 

 

 

 

 

 

 

 

ANALGESIA E A ACUPUNTURA NO TRATAMENTO

DA LOMBALGIA: UM ESTUDO BIBLIOGRÁFICO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CASCAVEL/PR.

2008

CARLOS VANDERLEI PUKALESKI

 

 

 

 

 

 

 

 

ANALGESIA E A ACUPUNTURA NO TRATAMENTO

DA LOMBALGIA: UM ESTUDO BIBLIOGRÁFICO

 

 

 

 

Monografia elaborada como requisito parcial à conclusão do Curso de Pós-Graduação em Acupuntura, pelo Instituto Brasileiro de Therapias e Ensino - IBRATE.

 

Orientadora: Sandra Silvério Lopes, MSc.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CASCAVEL/PR.

2008

 

 

DEDICATÓRIA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

À minha estimada

esposa e meus adorados filhos,

pois contribuíram para a realização deste trabalho inexplicavelmente.

A orientadora,

pela sábia orientação

e por sua amizade dispensada.

 

AGRADECIMENTOS

 

Primeiramente, a Deus, pois acredito que ele tenha uma participação imensurável nos projetos e realizações em minha vida; pela luz que tem iluminado meus caminhos; e nos momentos difíceis tem me confortado elevando meus ânimos.

Aos amigos pelo companheirismo e paciência na minha ausência.

À minha querida esposa e meus adorados filhos pelo amor incondicional que me fortaleceram para superar os obstáculos.

Aos mestres o meu muito obrigado, pelos ensinamentos e lições que servirão para o meu crescimento pessoal e profissional pela vida toda.

Enfim, agradeço a todos que contribuíram para que eu conseguisse chegar aonde cheguei.

 

 

 

 

epígrafe

“Aquele que conhece os homens é inteligente. Aquele que conhece a si mesmo é iluminado.”

                          (Lao Tse)

 

 

 

RESUMO

PUKALESKI, Carlos Vanderlei. Analgesia e a acupuntura no tratamento da lombalgia: um estudo bibliográfico. Cascavel-Pr.: IBRATE, 2008.(Tcc – Monografia para a Conclusão do Curso de Pós-Graduação)

O tema deste estudo consiste em estudar a analgesia e a acupuntura no tratamento da lombalgia, tendo como metodologia uma revisão bibliográfica sobre as teorias de diferentes autores acerca do tema proposto, realizando um cruzamento de estudos científicos comprobatórios sobre a eficácia de cada método no tratamento e no alívio da dor lombar, considerando algumas causas da patologia. Foram analisados 11 artigos publicados em revistas científicas e sites, bem como, 10 literaturas de livros, cujas publicações envolvem um período de 1979 a 2008, os tratamentos pesquisados são convergentes. Constataram-se alguns benefícios da acupuntura na dor lombar aguda e crônica, principalmente no pós-operatório. As categorias da acupuntura compreenderam em algumas pesquisas a inserção de agulhas sobre a pele estimulando o organismo para o equilíbrio do corpo e da mente dos pacientes, a auriculoacupuntura no ponto shenmen atua como analgésico e um antiinflamatório, pois estimula a circulação do sangue e QI. A acupuntura é uma terapia alternativa que viabiliza o acesso ao um maior número de pessoas reduzindo os altos custos da saúde pública.

 

Palavras-chave: Analgesia – acupuntura – terapia – tratamento – dor lombar.

 

 

 

SUMÁRIO

 

 1. INTRODUÇÃO                                                                                                            07

 2. A ACUPUNTURA: NOÇÕES E CONCEITOS E A DOR LOMBAR                  09

2.1 DIAGNÓSTICO                                                                                                          16
2.2 ESTUDOS CIENTÍFICOS E COMPROVAÇÕES DOS BENEFÍCIOS DA ANALGESIA E A ACUPUNTURA NO TRATAMENTO DA LOMBALGIA                                               17
2.2.1 Considerações do capítulo                                                                                   29
3. CONSIDERAÇÕES FINAIS                                                                                       34
REFERÊNCIAS                                                                                                                37

 

 


1. INTRODUÇÃO

 

 

 

A acupuntura é uma técnica milenar utilizada em tratamentos de diferentes afecções das pessoas, neste século, tendo seu início e surgimento na cultura Chinesa. Esta técnica visa uma terapia e cura de enfermidades específicas através de estímulos sobre a pele na inserção de agulhas em determinados pontos do corpo humano.

Dentre os interesses ocidentais, a analgesia surge como analgésico em cirurgias e intervenções clínicas, para focalizar as técnicas e efeitos da acupuntura no alívio de dores sejam crônicas ou dores agudas. Nesta perspectiva, os estudos têm sido voltados para ampliar a ação analgésica das afecções sobre pacientes, inibindo os efeitos responsáveis e nocivos pelas complicações que podem apresentar-se sobre os tecidos.

Este estudo se justifica, enquanto processo de aquisição do conhecimento científico mais elaborado, cumprimento de um processo acadêmico formal e no crescimento profissional. Estudos profundos indicam que a dor lombar constitui uma causa freqüente de morbidade e incapacidade, sendo sobrepujada apenas pela cefaléia na escala dos distúrbios dolorosos que afetam o homem. Estatísticas indicam que 60 a 80% das pessoas terão dor lombar durante a vida, e 2 a 5% terão em qualquer tempo determinado, no mundo todo. Nos Estados Unidos, os índices sobre a lombalgia são alarmantes considerando que 10% das pessoas com incidência da doença são responsáveis por 90% dos custos da saúde pública do país, ademais esses problemas implicam na incapacidade laboral de pacientes com idade abaixo de 45 anos. Aproximadamente 120 bilhões de dólares representam os custos com a esta incapacidade produtiva das pessoas. E no Brasil ainda não se tem um estudo mais profundo sobre isto, (VALE, 2006).

A partir destas considerações, pensou-se em realizar esta pesquisa para se aprofundar no tema e, enquanto relevância social surge como oportunidade na propagação da existência da acupuntura como uma alternativa eficiente no tratamento de complicações com a saúde humana, pensando no bem-estar de forma global das pessoas.

Considerando a constatação de que há pouca divulgação e esclarecimento em relação à acupuntura, menos ainda referindo-se ao tratamento de lombalgia através da acupuntura, entre os profissionais da área da saúde. Com a finalidade de apresentar os benefícios que a acupuntura proporciona para lombalgia, e, também suas limitações em determinados casos, resolveu-se elaborar esta pesquisa. A Medicina Tradicional Chinesa (MTC) utiliza-se de técnicas para o tratamento da lombalgia sem o uso de medicamentos e sem efeitos colaterais, diferente da medicina ocidental. Assim sendo, a utilização destas técnicas torna a acupuntura uma proposta viável a um número maior de pessoas.

Tendo como objetivo principal refletir sobre o perfil das pesquisas científicas em analgesia por acupuntura no tratamento em dor lombar, numa revisão bibliográfica, que contou com a explanação de conceitos e noções sobre o tema, considerando uma discussão com os resultados estudados por estes autores.

A metodologia empregada representa uma pesquisa bibliográfica com leitura e análise dos clássicos da MTC, especificamente as literaturas que versam sobre a acupuntura. Adotou-se como técnica para a pesquisa na elaboração e desenvolvimento textual resumos, resenhas, artigos, fichamentos, bem como consultas em sites da internet. Para Michel (2005) existem diferentes modalidades de pesquisa, nas quais apresentam benefícios específicos, neste sentido, a pesquisa teórica se preocupa em montar e desmontar, criticar e reconstruir teorias já existentes. Dispensando a prática valoriza o uso da razão e da lógica e busca procedimentos fundamentais sobre determinado quadro teórico ao qual fornece a base de conhecimento e explicação dos fenômenos que sucedem na sociedade, mas, sobretudo, deixando aberta a pesquisa às futuras aplicações e investimentos práticos.

            Foram analisados 11 artigos publicados em revistas científicas e sites, tais como a Sociedade Portuguesa de Reumatologias, Sinopse de Reumatologia defendida pela Universidade Federal de São Paulo, USP, Google, Revista eletrônica Ciência e Saúde, Ciência Rural, Centro Conchrane do Brasil, Revista Brasileira de Anesteologia e Analgesia, bem como, a literatura da Medicina Tradicional Chinesa (MTC) e seus mestres da terapia milenar, considerando 10 livros para darem maior solidez aos princípios dos autores ligados ao tema. Neste modo fizeram parte deste compêndio científico, Alvarenga, Altman, Lundeberg, Who, Kendall, Inada, Molsberger, Lorenzetti, Yamamura, Inada, Maciocia, Magee, Bastos, Pomeraz, Ross, Garcia, Breves, Baglans, Auteroche e Navailh, Priya e Cols, com um Abstract da pesquisa original, Ferreiram Couto, Costa, Coelho, Rosa, Sampaio, Toren, Bigos, Freire, Nachemson, Guic, Campos, Gomes, Pacheco, Rossi, Galvão, Collucci, Zerbini, Natour, Kerr, Walsh e Baxter, Hwang, Groglas, Ferreira, Stux, Chu, Cherkin, Furlan, Ettinger, Vale, Borestein e Michel tratando da metodologia da pesquisa.

Dos enfoques explanados as categorias da analgesia e a acupuntura na dor lombar, compuseram a tessitura desta pesquisa, a acupuntura como terapia alternativa no alívio da dor crônica e aguda, bem como, como anestésico pós-operatório; sobre a toxina botulínica para tratar sindromes dolorosas; sinopse reumatológica; dor superficial e profunda e analgesia adjuvante; complicações musculares; a fisioterapia e a acupuntura na dor lombar um tratamento alternativo com a auriculoacupuntura para pacientes motoristas da polícia militar em Pernambuco; a eficácia do diclofenaco em comparação com a administração da arcoxia na dor lombar crônica; a dor lombar em adultos.

Os livros, artigos, princípios, conceitos e pesquisas corresponderam ao período datado de 1979 á 2008.


2. A ACUPUNTURA: NOÇÕES E CONCEITOS E A DOR LOMBAR

 

 

A acupuntura faz parte de um conjunto de conhecimentos teórico-empíricos, advindos da Medicina Tradicional Chinesa (MTC). A palavra tem um sentido amplo, devido ao restrito agulhamento, e o estímulo do acuponto, segundo as várias técnicas disponíveis (agulhamento, alterações de temperatura, pressão dentre outras). (ALVARENGA, REVISTA RURAL, 2001) E Lundeberg (1993) conceitua que a técnica da acupuntura é uma terapia reflexa, em que o estímulo de uma área age sobre a outra.

A acupuntura considera o ser humano saudável numa filosofia global, nos aspectos físico, mental, social e espiritual enfocando o bem estar dele baseado no estilo de vida ao qual vive. Esta visão filosófica é uma visão holística, que considera o homem no mais tenro detalhe de sua vida. E foi reconhecida enquanto especialidade médica veterinária em nosso país. Altman (1997) considera que esta terapia pode ser indicada no tratamento de muitas enfermidades humanas. Dentre estas enfermidades é possível elencar: gastrites, enterites, colites, bronquite, broncopneumonia, pleurisia, miocardites, arritmia cardíaca, nefrites, alterações na micção, prostatite, cistite, hipotiroidismo, hipertiroidismo, diabetes insipidus, espondilopatia hipertrófica, paralisia facial, epilepsia, seqüelas da cinomose, mastite, conjuntivite, otite média, entre outras consideradas complexas para as pessoas.

A teoria milenar da Medicina Tradicional Chinesa (MTC) corrobora que as leis da harmonia entre o homem e o universo são ações recíprocas externas e internas a nós, elas não existem somente por existirem ambas tem um propósito, o equilíbrio entre a natureza humana e o universo para se aprender e usufruir dos recursos naturais do planeta de forma sustentável. E as doenças normalmente surgem dos conflitos desenvolvidos através de comportamentos sociais que refletem em energias celestes e terrestres.

A seguir apresentar-se-á uma breve explanação sobre a analgesia na lombalgia sobe o ponto de vista ocidental.

Muitos estudiosos afirmam que o interesse pela técnica analgésica da acupuntura, iniciou a partir da década de 70, contribuindo com o restabelecimento de pacientes pós-operatórios no alívio das dores crônicas e agudas. Nestes termos, Inada (2006) acredita veemente que as terapias da acupuntura, estimulam múltiplos sistemas com efeitos analgésicos na medula espinhal e no cérebro, sobretudo, na estimulação do sistema endógeno responsável pela amenização da dor, liberando com isto, os neurotransmissores como os opióides endógenos.

A acupuntura tem superado muitos procedimentos médicos na supressão da dor e até mesmo na cura de muitas debilitações de pacientes com dor crônica e aguda, cabe ao aplicador da técnica ocidental identificar o ponto adequado para o acuponto atingir os objetivos reais no alívio da dor ou o término dela. Sobre o ponto de vista ocidental as dores lombares normalmente apontam que existe um desequilíbrio no estado de saúde da pessoa, sobre este prima Inada (2006) considera como causa na freqüência das dores uma incompetência das estruturas ósseas e dos tecidos moles, sendo estimulada e induzida por algum trauma mecânico, porém, nem sempre a causa da dor lombar está associada a um exame radiográfico de alterações e lesões ósseas.

Grande parte dos médicos afirma ser difícil identificar a causa dor, somente a partir de muitos exames detalhados e maior acompanhamento do histórico do paciente para se diagnosticar a causa relativa à dor. No acompanhamento do histórico de um paciente dentre os elementos que devem compor o dossiê e interrogatório, estão à idade, profissão, o início dos sintomas álgicos, os eventuais traumáticos, torção lombar, peso, queda, vícios e posturas, características da dor, fatores de agravamento e alívio da dor (INADA, 2006).

E segundo (MACIOCIA, 2007, p.35) “a filosofia ocidental considera a matéria tanto uma questão independente da percepção humana quanto, no outro extremo, uma mera reflexão de idéias.” Neste ponto de vista, a Medicina Tradicional Chinesa, considera o corpo e a mente como elementos dissociáveis que interativamente resultam nas substâncias vitais para o equilíbrio do organismo vivo. Esta filosofia acredita nos mecanismos ativos que respondem ao estímulo recebido com energia para o organismo se manifestar material e imaterialmente, buscando o equilíbrio exato das coisas indiferente das situações.

Pesquisas freqüentes têm verificado que existem terminações nervosas sensoriais de relação íntima com nervos, vasos sangüíneos, tendões, periósteos e cápsulas articulares, ligando com grande número de mastócitos (el. al. REVISTA CIÊNCIA RURAL; WU, 1990) e isto, (ZHAI apud HWANG, 1992), tem demonstrado que existem ratos adultos que possuem grandes contagens nos acupontos maiores que outros locais, cujas propriedades elétricas representam áreas adjacentes. Altman (1992) ainda observa a existência de uma correlação positiva entre o desenvolvimento pós-natal e o aumento da contagem de mastócitos no tecido conjuntivo da derme, verificando-se que em ratos e em humanos há junções entre mastócitos e fibras nervosas aferentes e eferentes imunorreativa para a neurotransmissora substância P, estimulada pela inserção da agulha. (KENDALL, 1998)

Acreditando que a experiência dolorosa prolongada não é puramente física, por vir acompanhada de uma carga significativa de ansiedade e de sintomas de depressão, em função da plasticidade do sistema nervoso central que pode levar o paciente a desesperança e descrença de melhora do quadro clínico.  Vale (2006) afirma que isto, geralmente, decorre de processos álgicos e inflamatórios que se prolongam por mais de oito semanas eles passam a ser um desafio à equipe multidisciplinar responsável pelo seu controle, pois a dor crônica desenvolve mecanismos psiconeuroendócrinos e adaptativos. Também está relacionada com uma doença crônica ou com um processo degenerativo em evolução, além do tempo necessário para a recuperação da lesão original ou de outros processos degenerativos: neoplasias, doenças crônicas ou sem causa identificada. Podendo ter como influência, fatores psicoeconômico-sociais, culturais e ambientais têm importante papel na experiência e na expressão de dor crônica com duração superior a três meses, sendo excluídas outras causas, como a continuação da malignidade ou de infecção cronificada.

Ainda com este mesmo enfoque, Vale (2006) diz que a dor crônica tem incidência variável, atingindo de 5% a 35% da população. A dor nas costas é a segunda causa da procura médica (80% das consultas), o que constitui um grave problema de saúde pública.  A prevalência da lombalgia é a quinta causa de consulta médica, contudo, é superada apenas pela hipertensão arterial, gravidez, exame médico em geral e infecções ligadas às complicações do aparelho respiratório superior, de acordo com Freire (1999). Também classifica a lombalgia como aguda, quando esta dor dura um período de até 7 dias, a subaguda quando dura mais de 7 dias até 3 meses e quando os sintomas persistem mais de 3 meses é qualificada como dor crônica. Nesta classificação Guic et.al. (2002) considera enquanto dor lombar inespecífica, dor radiculada e dor lombar relacionada a uma patologia espinhal. Ainda com este enfoque Borenstein (2002) afirma que a dor lombar é melhorada por mais da metade de todos os pacientes após uma semana de tratamento, 90% apresentam melhora após 8 semanas e o restante de 7 à 10% continuam apresentando alguns sintomas da dor lombar por mais de 6 meses.

A dor é uma questão subjetiva e nem sempre é de fácil mensuração, por compreender aspectos ocultos a olho nu e, quando se manifesta, se busca indícios que possam indicar a região afetada, partindo disso, se averiguará as causas e os possíveis tratamentos na cura ou amenização desta em alguns casos. Ela surge normalmente em conseqüência da existência de uma lesão no corpo, podendo ser aguda ou crônica. Também representa uma reação sensitiva que responde a algo anormal, sinalizando algum risco eminente a pessoa.

Segundo a Associação Americana da Dor, um em cada três americanos sofre de algum tipo de dor crônica, para um atendimento anual estimado de 35 milhões de novas lesões músculo-esquelético com importante risco de cronificação (5% a 20%) e a um custo de US$ 120 bilhões (VALE, 2006).

Tanto Anderson (1995), quanto Bigos et. al. (1994) e Nachemson (1992) concordam que a dor lombar representa um dos problemas mais onerosos de afecções do aparelho locomotor e uma das principais causas de absenteísmo ao trabalho nos países industrializados, em que cerca de 75 - 90% dos custos estão vinculados aos doentes com lombalgia crônica, por promoverem uma certa incapacidade motora laboral em indivíduos com a faixa etária abaixo de 45 anos, que tem procurado assistência médica, devido aos problemas de saúde, com doenças crônicas. Estima-se que a recuperação da lombalgia ocorre em cerca de 4 a 7 semanas em 90% dos casos, levando em conta que destes índices de 1% a 3% dos doentes passam por procedimentos cirúrgicos.

A abordagem adequada é multidisciplinar, porque já existe memória de dor: mesmo sem o agente desencadeante, o paciente pode sentir dor em virtude da hiperalgesia. A dor crônica torna-se uma doença per se, sem causa identificada, pois com freqüência é acompanhada de sintomas depressivos, como distúrbios do sono, diminuição da ingesta de alimentos e modificações comportamentais ou mesmo tentativa de autodestruição. Assim, um quadro clínico feminino de dor pélvica crônica recorrente pelo período de seis meses pode ser acompanhado de distúrbios cognitivos, comportamentais, autonômicos, nutritivos, imunológicos e sociais. A busca incessante de uma terapêutica antinociceptiva é deveras laboriosa, pois as várias alternativas para combatê-la nem sempre são eficazes. O arsenal terapêutico analgésico oficial é representado por um armentarium medicamentoso alopático, homeopático, fitoterápico e neurocirúrgico. (VALE, 2006, p.531)

Assim, a dor lombar pode partir essencialmente de quatro fontes:

  • Discointervertebral;
  • As facetas articulares;
  • Ligamento interespinhoso e sacro-ilíaco anterior, e;
  • Músculos paravertebrais.

O disco intervertebral é o maior responsável pela dor lombar representando um índice de 85%, as facetas surgem como 2ª causa primária de dor crônica. E nesta última causa o tecido ósseo subjacente à cartilagem reage com a formação de osteófitos, causando a diminuição do forame intervertebral (estenose) que comprime as raízes nervosas, estimulando a dor, sendo mais comum à incidência entre os 60-70 anos de idade (INADA, 2006).

Bastos (1993) afirma que as fibras mais sensíveis (as que precocemente perdem a função condutora) são as fibras dolorosas e táteis, as mais resistentes são as motoras, daí o motivo de o paciente, sob analgesia por acupuntura, manter a consciência e os movimentos, enquanto a dor e o tato ficam anestesiados. Enquanto isso, no sistema nervoso autônomo, o componente eferente do sistema nervoso vegetativo controla a atividade das vísceras, órgãos, glândulas, vasos e músculos, pela atuação sinérgica do sistema nervoso simpático e parassimpático. Bastos (1993) ainda indica que as fibras aferentes que carregam informação ao SNC, que provém de vísceras e estruturas internas, encontram-se em gânglios da raiz dorsal que se dirigem à medula, na qual fazem sinapse com neurônios de conexão na coluna posterior. Como os neurônios aferentes somáticos e autônomos fazem sinapse nesta região, há uma possibilidade deles interagirem, sendo esta uma das bases do resultado terapêutico da acupuntura e a explicação do fenômeno da dor referida.

Através de Pomeraz (Apud BASTOS,1993) postulou-se um dos primeiros mecanismos humoral na gênese da analgesia por acupuntura, na Universidade de Toronto, Canadá, neste estudo verificou-se o comportamento de uma única fibra nervosa com a implantação de eletrodos intracelulares em neurônio espinal de ratos durante a aplicação de acupuntura, cujos dados obtidos demonstraram que houve analgesia com manutenção da sensibilidade fina, contudo não era imediato: levava cerca de 20 a 30 minutos para se instalar, deduzindo-se a existência de um mecanismo humoral responsável pela analgesia acupuntural.

As dores nas costas normalmente têm sua incidência num trauma recente, resultante de uma deficiência e Ross (1994) considera esta deficiência enquanto o Qi deficiente, a Essência (Jing) Deficiente e Qi e o Sangue Estagnante relacionados aos canais da Bexiga (Pang Guang) e Du Mai; ou também o Zang Fu pode influenciar no desempenho do Rim (Shen). Considerando que a dor lombar na difusão para baixo do Calor-Umidade passa para a Bexiga (Pang Guang) pode estar associada à litíase das vias urinárias, disúria ou hematúria. Em se tratando do sexo feminino estas dores também podem ser sintomas advindos de uma gravidez ou mesmo no ciclo menstrual, devido à origem de algum distúrbio gerado.

Neste ponto, é possível cruzar estes sintomas da dor lombar com algumas considerações da pesquisa científica ocidental realizada no Centro Conchrane do Brasil, ao qual propôs mecanismos para o efeito da acupuntura no alívio da dor. Constatando que a acupuntura pode agir nos princípios da teoria das comportas de controle da dor. Dentro disso, sugeriu que um tipo de estímulo sensório (dor lombar) poderia ser inibido no sistema nervoso central através do agulhamento, e noutra teoria, o controle inibitório nocivo difuso (CIND), sugeriu que a estimulação nociva de áreas corporais heterotópicas poderia modular a sensação de dor originada em áreas onde um sujeito sente dor. Também há alguma evidência que a acupuntura pode estimular a produção de endorfinas, serotonina e acetilcolina dentro do sistema nervoso central, aumentando a analgesia, conforme o Centro Conchrane do Brasil et. al. (Apud;CHU, 1979; STUX 2003).

2.1 DIAGNÓSTICO

 

Breves (2001) afirma que qualquer que seja o problema diagnosticado os pontos escolhidos dos acupontos dão um efeito direto ou indireto, mesmo que seja na tonificação ou sedação, e o procedimento correto pode contribuir no efeito desejado no alívio da dor que o paciente está sentindo. Também acrescenta que para ajudar o paciente os pontos especiais auxiliam no processo de cura ou alívio da dor, no caso da dor lombar, sacras poderia ser o ponto (B54).

Os sintomas normalmente são sinais que indicam que algo está errado, podendo-se iniciar uma análise do estado de doença do organismo humano, sendo fundamental identificar as causas do desenvolvimento desta doença, entendendo que exista certo desequilíbrio em Yin Yang, seja um sintoma moderado, simples, complexo, estável ou móvel. A partir disto, abre a possibilidade de se fazer o diagnóstico, considerando que o Yin Yang é bastante abrangente por envolver outras categorias que distingam o lado interno e externo ao organismo, sendo o Fora e o Dentro (Biao Li), o Frio e o Calor, o Vazio e a Plenitude. Lembrando que o Fora, o Calor e Plenitude pertencem ao Yang, o Dentro, o Frio e o Vazio pertencem ao Yin (AUTEROCHE e NAVAILH, 1992). Também sendo imprescindível discernir o Yin do Yang para entender melhor a natureza da doença, e empregar a técnica mais adequada à patologia.

Natour (2008) afirma que a lombalgia é um problema extremamente comum, que tem afetado mais pessoas do que qualquer outra afecção, à exceção do resfriado comum, representando um índice dentre 65% e 80% da população mundial desenvolve dorsalgia em alguma etapa de suas vidas, mas a maioria dos episódios não é incapacitante. Mais da metade de todos os pacientes com dorsalgia melhora após uma semana; 90% apresentam melhora após 8 semanas; e os restantes 7% a 10 % continuam apresentando sintomas por mais de 6 meses.

Ainda segundo Natour (2008) a lombalgia se manifesta por muitas causas diferentes: cerca de 90% dos pacientes com dorsalgia desenvolvem dor decorrente de uso excessivo das estruturas dorsais (resultando em entorses e distensões), da deformidade da estrutura anatômica normal ou de trauma; os outros 10% dos adultos apresentam dorsalgia atribuível a uma doença sistêmica. Mais de 70 dessas doenças foram identificadas. Uma vez que a maioria dos casos de dorsalgia é auto-limitada, o diagnóstico por imagem raramente é necessário. Um cuidadoso levantamento do histórico do paciente é a ferramenta diagnóstica mais importante. Os fatores que levam ao início da dor, bem como a natureza e a duração da dor, propiciam importantes sinais para a busca da provável causa e isto contribui para a assertividade da técnica adotada.

A agência de Política e Pesquisa de Cuidados da Saúde (Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA) divulgou diretrizes para o tratamento da dorsalgia em 1994, incluindo:

**Repouso no leito não superior a quatro dias com passeios tão logo seja tolerado;
**Alívio da dor com analgésicos ou AINEs vendidos sem prescrição médica;
**Exercício aeróbico leve durante as primeiras duas semanas de tratamento, seguido por exercícios musculares do tronco;
**Retorno às atividades profissionais e de recreação usuais tão logo seja possível (apud NATOUR, 2008)

 

2.2 ESTUDOS CIENTÍFICOS E COMPROVAÇÕES DOS BENEFÍCIOS DA ANALGESIA E A ACUPUNTURA NO TRATAMENTO DA LOMBALGIA

 

É sabido que as funções energéticas dos pontos auriculares escolhidos agem de acordo com a zona demarcada, tanto que o ponto shenmen atua de forma analgésica, ao qual o ponto utilizado incide para estabilizar o sistema como um todo, na fase do processo inflamatório e é aumentado o seu efeito quando associado ao ponto da analgesia, sendo usado para qualquer tipo de dor e anestesia. Garcia, Pacheco e Rossi (2003) afirmam que os pontos rim, fígado e baço são responsáveis respectivamente pelo fortalecimento da região lombar e medula óssea, por promover a circulação de Sangue e QI e o último, de fazer a digestão dos alimentos pra nutrir juntamente com o fígado os músculos e tendões. Os pontos lombares são os pontos de atuação da zona correspondente, ou seja, são as áreas, nas quais recebem a influência dos pontos supracitados. 

A amostra constitui-se de 16 voluntários, todos do sexo masculino e motoristas da Policia Militar de Pernambuco, sendo estes tratados com 10 sessões de auriculoacupuntura e avaliados pelo Índice de Incapacidade de Oswestry (IIO). Os resultados obtidos ao final da pesquisa foram de 62,5% da amostra apresentando um escore dentre 100 e 200 no IIO, representando considerável melhora no quadro álgico e de limitação nas atividades de vida diária (GOMES; PACHECO; ROSSI, 2007). Os voluntários que apresentaram dor lombar no estudo prévio foram convocados para a avaliação nesta pesquisa, como já foi salientado esta avaliação realizou-se através do Índice de Incapacidade de Oswestry (IIO) (MAGEE, 2002).  Toren (2001) afirma que a profissão de motorista tem como fatores de risco a permanência no estar sentado por tempo prolongado, que favorece a fadiga e aumenta as sobrecargas nos mais diversos segmentos corporais (especialmente nos discos intervertebrais). É o caso destes profissionais que estão sendo avaliados.

Constatando-se que a intensidade da dor tem afetado as atividades da vida diária dos estudados. Ainda, nesta pesquisa, (GOMES et. al. 2007) o IIO compôs-se de 11 seções (intensidade da dor, cuidados pessoais, levantamento de peso, marcha, sentar, ficar em pé, dormir, vida sexual, vida social, viagem, tratamento prévio; não sendo as duas últimas consideradas na análise dos resultados desta pesquisa), cada seção teve escore de 1 a 6 e o índice foi calculado dividindo-se o escore total pelo número de seções respondidas e por fim multiplicando o resultado por 100 (cem). Sendo o valor mais alto o mais incapacitante. O IIO foi aplicado três vezes durante o estudo, a primeira antes do início do tratamento, a segunda após a quinta sessão e a terceira após a décima sessão (fim do tratamento).

Gomes et. al. (2007) na primeira avaliação, constatou que 56,25% (9 indivíduos) da amostra apresentaram escore variando entre 301 e 400 (345,68 ± 32,60), 25% (4 indivíduos) obtiveram escore variando entre 201 e 300 (252,78 ± 29,21) e por fim, 18,75% (3 indivíduos) mostraram escore variando entre 100 e 200 (166,67 ± 11,11). Os resultados foram catalogados utilizando faixas de escores (100-200; 201-300; e 301-400). Na segunda avaliação (após 5 sessões) já foi possível observar uma redução no quadro álgico da amostra, onde o grupo que apresentou escore entre 301 e 400 reduziu de 56,25% para 18,75% (3 voluntários). O grupo com escore entre 201 e 300 representou 43,75% (7 voluntários) e o grupo com escore entre 100 e 200 constitui 37,5% (6 voluntários). Ao final do tratamento o questionário foi aplicado pela última vez, não sendo nesta ocasião observado nenhum voluntário com escore entre 301 e 400. O número de voluntários com escore entre 201 e 300 foi de 6 (37,5%) e o grupo com escore entre 100 e 200 foi de 62,5% (10 voluntários).

Através do Conchrane do Brasil et. al. (Apud; TSUKAYAMA, 2005) realizou estudo com método Randomizado, gerado pelo computador, valendo-se de uma seqüência de envelopes fechados, uma pessoa independente preparou uma tabela de distribuição destes envelopes; os avaliadores de resultado eram cegos e o financiamento, representou de uma Bolsa da Fundação para Treinamento e Investigação em Licenciatura em Anma-Massagem-Acupressão, Acupuntura e Moxibustão e da Faculdade Tsukuba de Tecnologia. Em Tukuba, numa Clínica particular no Japão. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética da Clínica TCT, Consentimento informado e pego com os pacientes de acordo com o ICH/GCP. A amostra compreendeu 19 dos 20 (95%) pacientes com dor lombar que apresentaram a dor pelo menos duas semanas e com mais de 20 anos e a análise foi medida pela ANOVA, sem a intenção de tratar. Métodos e exclusão, radiculopatia ou neuropatia, fratura, tumor, infecção ou doença interna, outro problema geral de saúde e tratamentos conflitantes e em andamento.

Nesta mesma pesquisa com Conchrane do Brasil et. al. (TSUKAYAMA, 2002), a duração da dor lombar: o grupo acupuntura=2900 dias (+/- 1983) e grupo TENS=3120 dias (+/- 3306). Os participantes tinham idade média de 45 anos, e o gênero: 3 homens e 16 mulheres, não se descreveu a posição de trabalho e o tratamento prévio (acupuntura-4). 

Prosseguindo nesta mesma pesquisa, as intervenções palpáveis detectaram na:

1) Acupuntura: Pontos selecionados por sensibilidade e bandas musculares palpáveis detectadas na coluna lombar e nádegas. Quatro pontos bilateralmente (8 no total) foram usados para cada tratamento. Pontos mais freqüentemente usados foram VB23 e VB26. Dois tipos de agulhas descartáveis de aço inoxidável usaram-se, dependendo da estatura e gordura: 0.20 mm com diâmetro e 50 mm em comprimento e 0.24 mm em diâmetro e 60 mm em comprimento. As agulhas foram inseridas nos músculos. A profundidade média de inserção foi de aproximadamente 20 mm. Eletroestimulação foi aplicada às agulhas inseridas com um estimulador elétrico com uma freqüência 111 de 1 Hz por 15 minutos. Agulhas de pressão foram inseridas após EE(eletroestimulação) em quatro e três pontos escolhidos e deixados no local por vários dias, eles tinham 1.3 de comprimento projetando-se do lado pegajoso de um pequeno adesivo redondo.

Pacientes foram tratados duas vezes por semana por duas semanas, quatro sessões no total. Randomizados para este grupo: 10, desistentes apenas um, é uma experiência, desconhecida.

2) TENS: eletrodos descartáveis tipo gel de 20x30 mm foram usados em 8 pontos, como eletroestimulação, sendo aplicada da mesma maneira que no grupo acupuntura. A intensidade foi ajustada ao nível máximo propiciando conforto, por onde a contração muscular foi observada. E em seguida, após cada sessão, prescreveu-se um cataplasma contendo ácido metil salicílico, mentol e anti histamina para ser aplicado na região lombar, em casa, entre os tratamentos.

Os pacientes foram tratados duas vezes por semana por 2 semanas, 4 sessões no total. Neste grupo também Randomizados: 10, ao qual não houve desistências. Quanto aos resultados: 1) Dor (Escala Analógica Visual): média do nível de dor no dia prévio. 2) Pontuação A

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